Ambush is the wrong word - divulgação de tradução

Criamos este fórum especialmente para falar de um peixe que é uma das grandes paixões dos pescadores esportivos e em especial da Caterva. Coloquem aqui tudo sobre a pesca deste "bocudo".
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Edu Seto
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Ambush is the wrong word - divulgação de tradução

Mensagem por Edu Seto » Seg Ago 13, 2007 11:46 am

Pessoal,

Continuando o trabalho de divulgação de material para aprimorar os nossos conhecimentos sobre o bass, estou copiando o artigo que traduzi: Ambush is the wrong word - escrito por Ralph Manns.

É um aprofundamento do mito 8 abordado no artigo publicado anteriormente - Mitos sobre o Black-Bass – Perguntas e respostas-, do mesmo autor.

O artigo é interessante porque ao deixarmos de pensar o bass como um peixe emboscador, fica mais fácil entender o seu comportamento e, principalmente, começamos a parar de pescar visando exclusivamente objetos visíveis (margens, tocos, pedras etc). E começamos a abrir a cabeça para pescar nos moldes propostos por Buck Perry, o pai do structure fishing.

[]s e boas leituras
Edu

“Emboscada é a palavra errada”

Por Ralph Manns

O autor Ralph Manns estudou e observou o comportamento do bass por anos, começando com um estudo de rastreamento eletrônico em 1977-1978 e continuando até hoje.

Quando os largemouth basses se alimentam ativamente, eles se movimentam. Todos os observadores subaquáticos, pesquisadores científicos e rastreadores eletrônicos relatam as mesmas coisas: os black-basses ficam dentro ou perto dos abrigos (cover, n.t.) quando eles estão inativos ou descansando. Quando eles estão comendo ativamente, eles saem do abrigo denso e, normalmente, movem-se ao longo de beiradas (edges, n.t.)

O formato fino, muscular e hidrodinâmico do bass é mais apropriado para dar pequenas arrancadas atrás da presa. Ele é menos bem projetado para emboscar presas ficando escondido e camuflado dentro do abrigo. Os peixes que rotineiramente vivem de emboscada normalmente têm várias características em comum. Eles são corpulentos, camuflados, ficam encostados no fundo e se deslocam apenas algumas polegadas quando atacam. Mais ainda, peixes que emboscam normalmente possuem bocas e cabeças grandes, corpos relativamente pequenos e poucos músculos porque eles se movem pouco e freqüentemente precisam esperar muitos dias entre as refeições. Sculpin, rockfish, halibut e linguado são típicos predadores de emboscada.

Experimentos nas quais os basses puderam se alimentar dentro ou fora do abrigo mostram que os basses forçados a viver dentro de abrigos densos são incapazes de perseguir presas e são forçados a usar táticas de emboscada. Estes basses capturam poucas presas, crescem lentamente e até podem morrer de fome se não houver presas em abundância. Embora eles embosquem presas, emboscada é uma tática ineficiente para o bass.

Se puderem, os basses saem dos abrigos para caçar individualmente ou em pequenos cardumes ao longo das beiradas de abrigos densos. Eles surpreendem presas individuais e dispersam cardumes de presas. Presas que se movimentam de modo errado ou se aproximam demais de um bass são comidas. Doug Hannon, o expert de bass grande, chama esta tática de “flushing” (descarga, n.t.). A tática é apropriada para a habilidade dos basses em nadar lentamente e então acelerar rapidamente para atacar a presa vulnerável, poucos passos adiante.

Quando não há superabundância de presas, os basses caçadores encontram e têm chances de capturar muito mais presas que os basses de emboscada. Estudos mostram que os basses que se alimentam ao longo das beiradas de abrigos densos capturam comida suficiente para crescer e se manterem saudáveis.

Os basses normalmente entram e se escondem em abrigos somente para se protegerem. Eles freqüentemente ficam suspensos, caçam e descansam em locais abertos perto do abrigo.

Mergulhadores, eu inclusive, observaram basses imóveis dentro de abrigos e aparentemente adormecidos. Estes peixes não se alimentavam, mesmo que presas de tamanho adequado estivessem a polegadas de suas bocas. Esses basses inativos também recusaram iscas apresentadas a polegadas de seus narizes e eram quase impossíveis de serem capturados, a menos que algo os despertasse de seus torpores antes que a isca passassem por eles. Rastreadores eletrônicos freqüentemente relatam que os basses que permanecem por longos períodos no mesmo lugar não são usualmente capturáveis.

Em contraste, os basses que ficam perto das beiradas de abrigos e se movem para frente e para trás eram ocasionalmente atraídos por iscas que eram colocadas por perto. Eles eram também mais facilmente despertados para um estado ativo por repetidos arremessos. Esses basses estão normalmente em estado neutro ou semi-ativo. Basses em estado neutro tendem a ficar perto de outros basses, mas não sincronizam seus movimentos ou ficam muito juntos. Cientistas preferem chamar tais grupos de “agregações” ao invés de cardumes. Os forrageiros freqüentemente ficam flutuando por perto, mas ficam a pelo menos 3 pés (90 cm, n.t.) de distância e se mantém constantemente alertas. Os basses neutros atacarão a presa que cometer o erro de se aproximar demais e freqüentemente ficam se movendo ao invés de permanecer num único lugar. Rastreadores eletrônicos freqüentemente relatam estes passeios curtos, mas os pescadores descobrem que somente arremessos precisamente colocados interessam a tais peixes.

Quando os basses querem se alimentar ativamente, eles formam cardumes com outros basses de tamanhos similares e saem nadando juntos. Eles saem à caça ao longo das beiradas dos abrigos (em água aberta se houver muitos basses e a forragem for abundante) para capturar (flush, n.t.) presas. Estes são peixes ativos e capturáveis se os pescadores puderem localizá-los, prever em que direção se movimentarão e colocarem as iscas na frente deles. Os forrageiros próximos sabem quando os basses estão se preparando para comer e imediatamente vão para bem longe deles. Os basses se movimentam à procura de presas que não tenham visto que eles estavam chegando.

A idéia de que os bass se alimentam emboscando presas aparentemente resultou de algumas observações e pressuposições falsas. Os basses ficam inativos ou neutros a maior parte do tempo. Enquanto inativos, eles freqüentemente descansam dentro de abrigos densos. Se eles não estiverem fazendo a digestão, adormecidos demais, e totalmente imóveis, iscas lançadas na frente de seus narizes podem ser engolidas. Eles também podem acordar se forem despertados por arremessos repetidos. Assim, muitos basses são capturados em abrigos onde a emboscada é a tática mais adequada. Além disso, basses em movimento ainda podem parar periodicamente em lugares onde o abrigo ou estrutura acaba, começa, se curva, ou muda. Pode parecer que os basses capturados nesses lugares emboscaram iscas ou presas, mas os basses, na realidade, não estavam se escondendo lá.

Os basses normalmente não se movem numa única direção. Grandes basses monitorados pelo rastreador texano, John Hope, moveram-se quase que constantemente quando ativos, mas eles patrulharam para frente e para trás ao longo das beiradas de abrigos ou estruturas submersas (break-lines, n.t.). Os pescadores que “se plantam” em beiradas, curvas, e pontas de vegetação aquática ou outros abrigos durante períodos de alimentação podem encontrar vários cardumes de basses de passagem ou fazer contato com o mesmo cardume várias vezes à medida que ele passa para frente e para trás. Isso pode criar uma ilusão de que os basses à procura de comida não estão se movendo. Os basses ativos também se movem ao longo de beiradas de abrigos que os pescadores não podem ver. Muitas vezes, existem trilhas razoavelmente livres dentro de vegetações aquáticas densas e arbustos aparentemente impenetráveis. É difícil para os pescadores dizerem qual a diferença entre um bass que foi capturado enquanto estava dentro, ou sob um arbusto, para “emboscar” presas e um outro que estava se movendo para frente e para trás à mesma profundidade sob um grupo de arbustos.

Os basses realmente inativos tendem a dormir sozinhos. Quando pescadores de bass pegam vários peixes em passadas consecutivas pelo mesmo arbusto, é mais provável que eles tenham achado um ponto em que os peixes estão de passagem do que descansando. Peixes inativos raramente se encardumam, não atacam de imediato, e não se movem tão depressa para substituírem os basses que tenham sido capturados momentos antes.

A crença de que o bass “embosca” suas presas aparentemente foi incorporada às lendas da pesca do bass porque muitos escritores preferem usar palavras agressivas e carregadas de ação. A imagem de um bass escondido atrás de uma pedra para “emboscar” presas distraídas faz o bass parecer destrutivo, como um filme de bang-bang, e assim um oponente mais valoroso. Táticas do tipo “chasing” ou “flushing” simplesmente não fazem o bass parecer tão durão e excitante. Mas “emboscada” é a palavra errada para descrever como os bass se alimentam normalmente. Os basses emboscam se a oportunidade se apresentar, mas esta não é a tática preferida deles.

Para capturar mais basses, os pescadores precisam conhecer realmente como os basses se comportam. Os basses que estão comendo ativamente se movimentam em pequenos grupos. Eles normalmente não se escondem dentro de abrigos tão densos que bloqueiem suas visões e/ou atrapalhem ataques. Abrigo é abrigo para forrageiro. O forrageiro se esconde dentro dele para escapar dos basses. Os basses usam o abrigo pela mesma razão. Eles se movem para dentro deles para descansar sem serem perturbados por ameaças maiores, como bagres amarelos e pescadores, não para comer. Os basses são mais freqüentemente capturados ao longo de beiradas de abrigos porque as presas se juntam lá e são mais facilmente capturados (flushed, n.t.) lá.

Para se alimentar efetiva e frequentemente, os basses saem dos abrigos densos para procurar, surpreender ou capturar presas ao longo das beiradas de abrigos em lagos e represas. A maioria dos donos de lagos poderão ver e confirmar este fato por si mesmos se eles se sentarem na beira do lago, como faço quase todo dia, e observarem os basses com lentes Polaroid.

Notas da tradução:
1. Tradução: Eduardo K. Seto - email: eks.fish@uol.com.br - Maio/2007.
2. Vários termos foram mantidos no original porque, de forma geral, é assim que eles são, ou acabam sendo, conhecidos e utilizados pelos pescadores de bass.
3. Link para original em inglês: http://www.bassresource.com/fish_biolog ... _bass.html
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Mensagem por Alexandre Estanislau (Zeca) » Seg Ago 13, 2007 2:31 pm

Ta vendo, é deste tipo de coisa que eu estou falando... de materias assim que sinto falta aqui no Brasil. Ninguem aqui faz isso.

Eu, quando conheci o quintal eu cheguei a mergulhar pra conhecer a estrutura e encontrar os forrageiros... depois quando o lago secou muito antei pela margem fotografando as estruturas.

E a cada dia eu peguei mais peixe no lago....

Mais uma grande traducao.... parabens e obrigado.
Abraços
Alexandre (Zeca) | <*))>>><
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Mensagem por Carlos Salatti » Seg Ago 13, 2007 2:39 pm

Maravilha de matéria Edu...
Na minha próxima pescaria vou analisar esses dados e tentar colocá-los em prática.

Abraço.
Carlos Alberto Salatti Junior

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Mensagem por Egberto Pereira Jr » Seg Ago 13, 2007 4:07 pm

Bom trabalho.
Muito útil para todos nós que queremos aprender um pouquinho mais a cada dia.
Abraço.
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Mensagem por Thierry Cioquetta » Ter Ago 14, 2007 1:45 pm

Bom texto!! Se esse tipo de coisa tivesse nas revistas de pesca do Brasil, iria melhorar muito a qualidade das revistas.

Valeu!!
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/ct0
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Mensagem por Rodrigo Lima » Ter Ago 14, 2007 2:07 pm

Puts...ainda bem que tem alguém pra salvar!!!

Valeu Edu
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Edu Seto
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Artigo traduzido - feedback

Mensagem por Edu Seto » Ter Ago 14, 2007 2:24 pm

Pessoal,

Obrigado pelos cumprimentos, mas repetindo: os méritos são todos do autor original. Eu só tive o trabalho de achar e traduzir.

Se vocês tiverem interesse, tem mais feedbacks sobre o artigo no Fórum do www.bassonline.com.br.

[]s
Edu
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Mensagem por André Franchi » Ter Ago 28, 2007 7:51 pm

Show Edu, mais uma vez parabéns!!!
Continue compartilhando dessa sua abilidade tradutiva conosco, hehehehe!!!

Valeu, abraço!!!!
Ah, se tiver mais algum desses pode me mandar por MP ou email, obrigado!!!!
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Edu Seto
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Mensagem por Edu Seto » Qui Ago 30, 2007 6:38 pm

André,

Normalmente, os artigos que divulgo nos fóruns são publicados "bunitinho" nos seguintes sites (com um certo atraso...):
- www.spbassclube.com.br
- www.bassonline.com.br
- www.pescanet.com.br

Ah, os artigos mais antigos estão no www.fishpoint.com.br - Matérias/Black-bass (os mais novos ainda não estão lá porque o Tchello deve estar com pouco tempo ou tá fazendo corpo mole... :-) ).

[]s
Edu
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Mensagem por NELSON MACIEL » Sex Ago 31, 2007 2:27 pm

Edu Seto escreveu:André,

Normalmente, os artigos que divulgo nos fóruns são publicados "bunitinho" nos seguintes sites (com um certo atraso...):
- www.spbassclube.com.br
- www.bassonline.com.br
- www.pescanet.com.br

Ah, os artigos mais antigos estão no www.fishpoint.com.br - Matérias/Black-bass (os mais novos ainda não estão lá porque o Tchello deve estar com pouco tempo ou tá fazendo corpo mole... :-) ).

[]s
Edu
Edu,
Seria complicado para vc colocar estes mais antigos aqui na Caterva ?
Nelson Maciel
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Seja um pescador mais esportivo. Amasse as farpas dos anzóis e garatéias.
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Edu Seto
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Artigos antigos

Mensagem por Edu Seto » Qua Set 05, 2007 2:44 pm

Nelson,

Tô com o tempo contadinho até o dia 20~25... assim que folgar um pouco, prometo que coloco os artigos antigos no Caterva.

[]s
Edu
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